Quando se começa a costurar e mesmo quando se tem mais experiência, a escolha do tecido para o seu projeto continua a ser uma questão crucial. De facto, o resultado de uma peça de roupa pode ser muito diferente consoante o tecido escolhido, ... por vezes para melhor, mas também por vezes para pior, apesar do cuidado dedicado à sua confeção. Por isso, para o ajudar a esclarecer, reuni os 7 critérios que analiso antes de combinar um molde com um tecido.
"Uma peça de roupa bem-sucedida passa por um tecido bem escolhido"
Primeiro critério: as indicações do molde de costura
A menos que seja modelista, há muitas hipóteses de que opte por um molde comercial para realizar a sua peça.
Recomendo vivamente que leia as recomendações do modelista. Em princípio, uma lista de tecidos adequados ao modelo é proposta no tutorial / nas etapas de montagem. Esta lista não foi elaborada ao acaso; tem em conta a folga do molde, o resultado do modelo desejado pelo modelista, os critérios estilísticos pretendidos...
Claro que se pode afastar dessas recomendações e ser mais criativo; mas isso exige um bom conhecimento dos tecidos (composição, elasticidade, caimento...) e das eventuais modificações a fazer no molde (por exemplo, adicionar um fecho, escolher um tamanho maior...).
Segundo critério: tecido tecido ou malha?
Costumo dividir os tecidos em dois grandes grupos consoante o seu método de produção:
- os tecidos de urdidura e trama, que são tecidos cujas fibras foram tecidas numa armadura bem definida
- as malhas, que são tecidos cujas fibras foram tricotadas
A maior diferença entre estes dois tipos de tecido é a sua elasticidade. Um tecido de malha pode esticar, enquanto um tecido de urdidura e trama naturalmente não tem muita elasticidade (exceto um pouco na diagonal). Para dar elasticidade a um tecido de urdidura e trama, pode-se adicionar fibras de elastano, como por exemplo no denim que encontrará na minha loja. Esta adição de elastano permite algum conforto.
Em princípio, os moldes indicam claramente o tipo de tecido necessário e a necessidade ou não de elasticidade.
Terceiro critério: o tipo de fibras
O tipo de fibras pode ser um critério muito importante para cada costureiro. De facto, cada tipo de fibra tem propriedades particulares.
Para simplificar, vamos dividir os tipos de fibras em dois grandes grupos:
- As fibras naturais são obtidas por transformações físicas e/ou mecânicas de uma matéria natural sem alterar a sua composição. Encontramos neste grupo fibras provenientes do mundo vegetal: o algodão, o linho, o cânhamo, a ramie... e fibras provenientes do mundo animal: a lã, a seda...
- As fibras químicas dividem-se em duas subfamílias: fibras artificiais e fibras sintéticas. As fibras artificiais são obtidas por transformação química de substâncias naturais, frequentemente celulose, cujo exemplo mais conhecido é a viscose, mas também encontrará nesta categoria o modal, o lyocell, a viscose/o jersey de viscose.
As fibras sintéticas provêm de produtos químicos, frequentemente a partir de hidrocarbonetos. Nesta família encontramos: o poliéster, o nylon, o acrílico, o lycra...
Na loja, decidi oferecer preferencialmente tecidos que contenham fibras naturais ou artificiais. Para além do aspeto ecológico, estas fibras são frequentemente mais fáceis de coser, são respiráveis e duram mais tempo. São critérios importantes na escolha do tecido para as minhas próprias criações e quis que a minha loja estivesse em consonância com estes valores.
Quarto critério: o comportamento do tecido: a estrutura, o caimento, a elasticidade, o peso...
Nem todos os tecidos terão o mesmo resultado visual.
A popeline e as algodoeiras terão um efeito mais estruturado, perfeito para fazer blusas e saias com pregas, criações que exigem volume.
A viscose, por sua vez, terá um caimento mais pesado, mais denso, mas também mais fluido, perfeito para vestidos, calças fluidas, drapeados...
Da mesma forma, um denim 100% algodão será mais rígido do que o mesmo denim que contenha 5% de elastano...
Igualmente, o peso de um tecido vai modificar o resultado:
- tecidos muito finos e muito leves: o voile, o organza, o crepe, o tule...
- tecidos finos e leves: a popeline, a batiste, o satin de algodão, o plumetis de algodão, a broderie anglaise, ...
- tecidos médios: a viscose, o crepe, o jersey, a algodoeira...
- tecidos grossos e mais pesados: o chambray, o denim, o veludo, a esponja, o french terry...
É por isso importante ler bem as fichas dos produtos para não errar na compra.
Quinto critério: os selos (e o seu preço)
Os selos ecológicos e regionais ganham cada vez mais importância na escolha dos tecidos. Os selos ecológicos como Oeko-tex e GOTS são os dois mais conhecidos. Fiz um artigo sobre este tema que pode encontrar no blog. É verdade que pode ser um critério de escolha para o tecido das suas peças, especialmente se o tecido for destinado a criações para crianças, para higiene ou para estar em contacto com alimentos... Depende da sensibilidade de cada um.
É também necessário chamar a atenção para o facto de que todas estas medidas para produzir de forma mais limpa, para usar fibras naturais biológicas têm, claro, um preço superior ao de uma produção clássica. Este é também um critério de escolha a ter em conta.
Na loja, encontrará alguns tecidos GOTS com uma boa relação qualidade/preço, o que era importante para mim, e a grande maioria dos nossos tecidos são certificados pelo menos com Oeko-tex (Atelier Brunette, Dashwood Studio, os tecidos com padrões belgas, os nossos jerseys, as popelines lisas...)
Sexto critério: o uso e a manutenção
Sim, o uso... um critério muito importante a ter em conta... Convido-o a refletir sobre o futuro de uma peça de roupa.
Por exemplo, não há problema em querer fazer um vestido de noite / de noiva em seda porque sabemos que não o vamos usar frequentemente, mas a escolha da seda pode ser arriscada para a confeção de uma camisa para ir ao escritório quando temos dois filhos pequenos... Enfim, se pretende usar e desgastar as suas roupas porque valoriza as suas peças feitas em casa, escolha tecidos que durem no tempo, que sejam resistentes e que possa cuidar facilmente.
Pense sempre na utilização da peça e nos "riscos" que terá de enfrentar.
Sétimo critério: o amor à primeira vista
O sétimo, mas também o mais importante quando se escolhe um tecido, é antes de mais que ele nos agrade. O padrão, o toque, o caimento... tudo o que faz com que um tecido nos faça brilhar os olhos e nos dê vontade de fazer uma peça que usaremos com alegria e sorriso.
Espero que estes 7 critérios o ajudem a escolher melhor os seus tecidos para realizar peças que adore. E se quiser aprofundar o conhecimento dos tecidos, convido-o a descobrir o livro de Rebecca Deraeck, o link para o artigo está aqui.
Boas costuras para si!

