O casaco Hathor da Iam Patterns

Há algum tempo saiu a nova coleção "Iam Divine" de Marie-Emilienne, a criadora da marca Iam Patterns. O seu duffle coat, as suas bonitas calças com pala, o seu vestido e sobretudo o seu pequeno colete versátil chamado Hathor, pelo qual me apaixonei imediatamente!

De facto, gosto muito do conceito de body warmer e, além disso, o Hathor permite brincar com os bolsos, com ou sem zíper, com ou sem capuz, ou até fazer uma versão reversível... Enfim, fiquei encantada quando saiu e por uma boa razão... finalmente tinha encontrado a ideia para upcycling de um bonito tecido vintage bordado oferecido pela minha sogra. Este tecido é uma espécie de pequena antiguidade trazida há mais de 40 anos numa mala durante uma viagem ao Paquistão. Tem, portanto, um valor sentimental e de transmissão. Queria absolutamente fazer-lhe justiça!

Para informação, este tecido é de confeção paquistanesa numa largura muito pequena (+/- 90cm). É em veludo rasgado e está completamente bordado com flores, com um grande motivo central. Inicialmente queria fazer um casaco com mangas, mas foi impossível encaixar todas as peças... O Hathor caiu mesmo a calhar na minha coleção de moldes porque me permitia maximizar a utilização do meu retalho!

Vamos então descobrir o Hathor e a minha aventura de upcycling!

O molde Hathor

Hathor é um colete intemporal sem mangas que se integra facilmente num guarda-roupa sustentável. É o que eu chamo um body warmer que se pode usar por cima de um pulôver/camisola/camiseta de manga comprida, dependendo da estação, ou mesmo por cima de um casaco leve. Basta escolher os tecidos e a folga em conformidade, podendo fazê-lo justo ao corpo ou oversize, conforme se queira usar.

O Hathor está disponível em 18 versões graças a:

  • 3 opções de decote
  • 3 opções de bolsos e
  • 2 modos de fecho.

Fecha com botões de pressão, um zíper ou pode também ser deixado sem fecho para uma versão reversível.

Para o decote, é possível escolher: um decote simples com uma bonita curva, uma gola ou um capuz.

Finalmente, os bolsos podem ser aplicados, com vivo ou sem bolsos.

O casaco é totalmente forrado, mas também é possível fazê-lo numa só camada, rematando as costuras (talvez para uma próxima versão 😂).

Nível de costura necessário para coser o Hathor

Iniciantes, divirtam-se! Este colete é ideal para começar a confeccionar roupa. Pode escolher a versão mais simples para começar. O Hathor também será ótimo para os mais experientes na sua versão com capuz e bolsos com vivo.

Tamanhos disponíveis

A versão impresso cobre os tamanhos 36 a 46. Encontrarão na loja.

A versão PDF, disponível apenas no site da Iam Patterns, vai até ao tamanho 52.

No carrinho da costureira

Pode-se coser o Hathor com uma grande variedade de tecidos: acolchoados, peles falsas, mantas de lã, veludos cotelê, de côrte grosso, rasgados..., denims, gabardines, sarjas grossas, algodões encerados, polares...

Para o forro, também se pode escolher tecidos finos a médios, como voiles de algodão, popelina, cetim, viscose... mas porque não uma flanela ou molleton.

Os materiais necessários são:

  • Tecido exterior
  • Forro
  • Versões com botões: botões de pressão de 1 cm de diâmetro, 5 botões para a versão sem gola e 6 para a com gola.
  • Versões com zíper: 1 fecho separável de 45 a 55 cm, conforme a versão.
  • Bolsos com vivo: 35 cm x 25 cm de termocolante.

Os meus materiais

Para a minha versão, usei o meu veludo rasgado bordado para o exterior e decidi forrá-lo com molleton branco para ter uma versão bem quente. Assumo completamente a versão mãe Natal do meu Hathor vermelho por fora e branco por dentro 😂

Escolhi a versão com capuz para usar todo o meu retalho de veludo bordado, mas também porque achei que reforçaria o seu visual tão original.

Decidi não colocar bolsos para não "perturbar" os bordados, tendo dedicado tempo a calcular as peças para que os motivos fossem o mais preservados possível nos cortes, mas também para que os motivos ficassem bem alinhados uma vez o casaco cosido. Para este trabalho, usei as peças em espelho na superfície do tecido (e não ao dobrar como habitualmente) e tracei com a minha régua japonesa os contornos com marcador apagável com água.

Também decidi deixá-lo sem fecho. Veremos na prática se isso me incomoda. Se for o caso, penso optar por brandebourgs para manter a estética estilística do casaco.

Os pontos técnicos

Diria que o maior ponto técnico do Hathor (se não estiver habituado) é gerir a "visão em 3D" do forro. De facto, é preciso coser do avesso algumas partes do Hathor (nomeadamente as cavas) e depois virar para o direito (como se faz numa bolsa ou cesto). Isso pode ser confuso quando é a primeira vez que se trabalha com um forro; no entanto, se seguir bem as instruções do livrinho, não há problema algum.

Outra dificuldade pode ser a espessura dos tecidos, dependendo da sua escolha. Eu escolhi molleton e veludo grosso rasgado. Isso cria uma "boa espessura", especialmente na passagem do capuz. As máquinas do atelier lidam sem problema com este tipo de espessura, mas tenha isso em conta se tiver uma máquina com um motor "pequeno" que não goste muito de espessuras.

Quanto ao resto, os pontos técnicos dependerão das opções escolhidas no Hathor: colocação do zíper, botões de pressão, bolsos com vivo... Cabe-lhe a si explorar!

Rematei todas as peças do veludo rasgado.

Costurei o capuz antes de o colocar no corpo da peça.

Colocação do capuz forrado

A experiência de costura

Gostei muito de dar destaque a um retalho de tecido e dar-lhe uma segunda vida... é o que se chama upcycling. Upcycling é reciclar, mas acrescentando valor ao objeto reciclado... e estou mesmo orgulhosa de ter usado este retalho que, de outra forma, teria acabado numa gaveta.

Diverti-me a desafiar-me na colocação das peças do molde. Queria preservar os bordados, pensar nos alinhamentos para que as linhas ficassem direitas nos frontais e a grande flor nas costas. Tudo isto tendo cuidado para que fosse visível apesar do capuz.

Quanto ao Hathor, gostei mesmo de o coser. É simples e rápido. Gosto de fazer peças assim de vez em quando, antes de me lançar em peças mais complexas.

Tenho a certeza de que é uma peça que farei novamente. Talvez uma versão acolchoada? Quem sabe...

Prontas para pegar nas agulhas?

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